conto

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Primeiros soldados
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Fabio N.Biazetti

Primeiros soldados

O horizonte de Muriel desaparecia aos poucos enquanto sua camisa vermelha forçava os olhos à escuridão. 

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Jun 4
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Na pele
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Na pele

Do antebraço deixado à mesa estralou desejo voltaico numa onda que volta onda maior. Constelação que resguarda uma faca, aos poucos arando pedaços esparsos do que se é; como se fosse possível sorver o sangue pelos cantos abertos por ansiedade perfuratriz.

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Jun 4
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Tradução
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Tradução

A oferta vaidosa irrecusável. De início tal veranico. Um outono.

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May 20
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A Fábrica (primeiro esboço)
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A Fábrica (primeiro esboço)

Ninguém ao certo saberia dizer se os sons nascidos pelos arremedos no concreto eram ou não vozes humanas. Serrados, secos e sedentos eram quase urros susssurros. Tudo isso torna ineficaz denominar essa imagem como a primeira impressão de uma indústria que fabrica veículos de demolição. Tais máquinas têm engrenagens formadas por roldanas sombras de violência e estruturas mecânicas de força desproporcional contra corpos que tentam impedi-las.

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May 20
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Crise
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Crise

Um casal em crise conjugal buscava amparo após um luto sem explicação. Arrasados e sem entendimento, tentavam faróis em centros espiritualizados localizados próximos à universidade em que a esposa dava aulas. Enquanto a mulher sólida pulava de centro em centro, o marido buscava refúgio em lojas de roupas do bairro.

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May 20
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Remoção
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Remoção

Dois dos romeiros perdidos

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May 20
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Ferrorama
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Ferrorama

O sabão deslizava acalento de barriga.

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May 20
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O samurai vermelho
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O samurai vermelho

Por todos milhares cartesianos, deste tempo por onde minha fluidez habita, jamais vi o tear insistir em pular a sextilha deste novelo. 

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May 20
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Maria Antonieta
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Maria Antonieta

Todo ouro de falência desabando enquanto a cabeça flanava fora do corpo, só levara à pergunta sobre ter ou não guardado àquela anágua lavanda, que trocara pela manhã atrás do biombo.

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May 16
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A rua
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A rua

Desabou no limite do calçamento.

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May 16
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O motociclista feliz com sua nova jaqueta
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O motociclista feliz com sua nova jaqueta

Depois de puxar o tornozelo safou-se da motocicleta a desabar com seu dono pelo meio da grama. De caminho livre, roubou as duas bolas piscantes que a cada mordida urravam alegrias coloridas.

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May 16
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Cheiro
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Cheiro

O cheiro rasgou o quarteirão, não sem antes alvejar-lhe o rosto;

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May 16
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A febre
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A febre

— dois anos?

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May 16
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Animal
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Animal

A morte em seu vestido verde reflete milênios em segundos.

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May 16
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Fantasma da bala
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Fantasma da bala

As costas por um fio ante o muro desprezam a tensão ouvida andares acima. Olhos inspiram vagarosos um descompasso no explodir do mundo. Sorri ao sentir a mira. Pensa por segundos ser exatamente igual à mulher que comanda o caos, mas que não é ela; duas exatas simetrias ocupam locais distantes. Reencontrar-se-ão no plano astral criado por crianças organo mecânicas.

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May 15
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Magistra
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Magistra

Enquanto arruava em pensamentos desencadeados pela lâmpada perdida nas areias da minha praia vizinha, pensei estar embaralhada de retina quando me dei conta da inesgotável aproximação de Haroldo. Outra vez. Com a mesma mochila do ano passado que quase não lhe cabe entre as escápulas. Outra vez. O olhar determinado a decidir, porém vacilante, para em frente minha casa. Outra vez.

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May 6
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Banco da lanchonete
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Banco da lanchonete

A fumaça esgrimava o canto direito de seu olho, derivando um caleidoscópio no canto cinza nos cabelos. No rosto, só conseguia pensar quanto cafona era aquela lanchonete.

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May 6
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Voltaico
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Voltaico

Do antebraço deixado à mesa estralou desejo voltaico

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May 4
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Velotrol
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Velotrol

Conheci F. no segundo ano da faculdade.

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May 4
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Cheiro
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Cheiro

Andava em desalento na calçada. Apenas resvalava no cotidiano, pois eram demais os pensamentos em toda fúria da discussão. Ao entrar, novamente perpassando-a, não notou o bilhete na mesa, colocado embaixo do cinzeiro que jamais estivera ali. Somente o cheiro da gaveta impregnava a casa.

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May 4
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José
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José

Seu José parado está ao lado direito do último galho relutantemente sóbrio na bicentenária árvore que insiste em manter-se residente viva na câmara de gás também conhecida como centro da cidade. Olhava o horizonte impedido de tornar-se mar pela presença de um muro pintado em amarelo, atropelado por uma enorme faixa azul. Se seus olhos pudessem transpor o embrutecido concreto, certamente avistariam por trás daquela montanha, sussurrando calmarias à catedral bonsai fronteiriça, uma lua cheia tal qual iluminura aos dois condores acrobatas e toda hipnotizada plateia do mar.

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May 4
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O problema de Jane Austen
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O problema de Jane Austen

Óbvia era a sobriedade de minha irmã. Não haveria outro jeito de endereçar o problema que não fosse aquele. Afinal de contas já passava da hora do rapaz entender, de uma vez por todas, que era um tempo de mudanças. Adulto, capaz de raciocínio e dotado de oposição do polegar, não seria difícil (inicialmente) uma simples aula cozer um efeito cognitivo.

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May 4
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