22: O trabalho de tradução foi era um golpe.
A oferta vaidosa irrecusável. De início tal veranico. Um outono.
Na madruga do dia sete, umas quase duas da manhã, um carro deu com cara no muro da oficina de costura. Ouvido pelo menos há dois quarteirões, deixou marcado nos lábios da porta de correr dois desconexos sorrisos. Um deles por conta da destruição do panóptico e suas oito câmeras de alta definição, que nada puderam fazer a não ser um plano em close-up do automóvel. Do outro lado a risada foi mais discreta. Deslizou apenas uma porção das pernas do armário, cujo detalhe era um suspiro sofrido da renda a lhe cobrir os joelhos, por conta da chuva destilando segredos àquela madrugada.
Tem chovido aos soluços e um vento morno sempre sobe ao meio das pernas da tarde. As manhãs são cálidas mesmo ao soarem cinza. Ontem, a noite sentindo frio, antecipou o feriado do ventilador. Hoje, há um vento manso nos acenos das flores em minha janela e uma normalidade cartesiana na temperatura que desenha círculos com o hálito pelo vidro.